Thursday, 12/07/2012
by Fernando Flack
Balance e Role, bebê!
Neste dia 13 de julho se comemora o Dia Internacional do Rock. Esse ritmo, estilo ou filosofia de vida - chame do que quiser - que arrebata corações e ouvidos jovens e velhos através das décadas desde sua enigmática aparição no finalzinho da primeira metade do século XX.
A data comemorativa foi estipulada no calendário mundial por conta da realização do mega show beneficente idealizado pelo músico irlandês Bob Geldof, que ocorreu no dia 13 de julho de 1985 com o nome de Live Aid. O objetivo era chamar a atenção do mundo e arrecadar fundos para amenizar a fome e a miséria na África, principalmente na Etiópia.
Com a reunião jamais vista de lendários astros do rock e do pop se revezando e tocando juntos no palco, o Live Aid foi realizado, simultaneamente, nos estádios de Wembley, em Londres e JFK, na Filadélfia, e arrecadou cerca de 100 milhões de dólares para a causa, além de ter atingido em torno de 2 bilhões de telespectadores com a transmissão ao vivo para mais de 140 países. A lista das estrelas participantes é grande. Foram eles: The Who, Led Zeppelin (com Phil Collins na bateria), Dire Straits, Madonna, Queen, Joan Baez, David Bowie, BB King, Mick Jagger,Tina Turner, Sting, Eric Clapton, Scorpions, U2, Paul McCartney, Status Quo, Black Sabbath, Boomtown Rats, Elton John, Adam Ant, Ultravox, Elvis Costello, Run DMC, Brian Adams, The Pretenders, Santana, Duran Duran, Bob Dylan, Lionel Ritchie, Rolling Stones, The Cars, The Four Tops, The Beach Boys, entre outros.
Mas o que é esse tal de rock and roll? Já perguntava a deusa maior do rock brasileiro, Rita Lee. O rock é uma permanente evolução originada da mistura do blues, do country, do jazz e do rhythm and blues. Sua base é a estrutura satânica sensual e negra do blues tocado um pouco mais acelerado, e que não para de converter novos fiéis ainda hoje através dos seus mais variados subgêneros. Seus primeiros sinais de vida se deram ainda na década de 1940, mas foi na década seguinte que o ritmo de fato se firmou e criou seus primeiros mitos como Bill Haley, Chuck Berry, Little Richard, Buddy Holly, Bo Diddley, Jerry Lee Lewis e, claro, Elvis Presley. Daí pra frente, as pedras nunca pararam de rolar e a guitarra elétrica se afirmou como o seu instrumento essencial, mas não indispensável.
E por que o diabo é o pai do rock, como afirmava o deus maior do rock nacional, Raul Seixas ? A sexualidade está relacionada ao rock desde a criação do nome “Rock and Roll” - o mesmo que “Balance e Role” - pelo DJ americano Allan “Moondog” Freed. A expressão era uma gíria usada no cotidiano das comunidades negras americanas do início do século XX, e fazia referência ao ato sexual nas letras de suas músicas. Há ainda a ligação que as culturas brancas sempre fizeram das culturas negras com o despudor e o sexo por conta da relação destas com o corpo – daí a satanização do blues, do rock e de algumas culturas e religiões negras nas Américas -, e culmina na histeria e espanto que as danças sensuais de Elvis Presley causavam nos jovens de sua época.
Que esse estilo, ritmo, filosofia de vida – chame do que quiser – continue a nos embalar e a nos fazer balançar e rolar por anos a fio. Feliz Dia Internacional do Rock! ---Fernando Flack é músico e compositor. É apaixonado por artes em geral, mas ama a música acima de tudo. É redator do jornal Redentor do Festival de Cinema do Rio e escreve regularmente para a coluna musical do Todo Rio.
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