Monday, 23/07/2012
by Reinaldo Ramsés
Teatro do Rei: Chave de Cadeia
Uma crooner decadente que vive uma relação amorosa intensa e conturbada. Este é o papel que a atriz e cantora Ana Baird encara no espetáculo musical de bolso “Chave de cadeia”. Amante descontrolada, desequilibrada, submissa e escandalosa. Ela se casa, separa, sofre, volta, sofre, e vai ao fundo do poço. Tudo regado a muita fossa e muito álcool. E no final... Só assistindo à peça, que está em cartaz no Teatro das Artes, as terças-feiras, para saber o que acontece.
Em cena, a atriz divide o palco com três músicos e, entre as canções bem escolhidas, intituladas “o fino da fossa”, – que vão de Maysa a clássicos internacionais, passando por Alexandre Pires – ela conta a história de amor da crooner, que envolve momentos de paixão, insatisfação, exagero amoroso e sua conexão inevitável com o sofrimento.
O cenário e os objetos de cena ajudam a retratar a trajetória desta mulher decadente. Composto por um microfone com um pedestal, um divã, muitas garrafas de bebida espalhadas pelo palco, remédios, cigarros e fotografias, o ambiente cria uma atmosfera que leva ao tom trágico-cômico do musical.
A atuação de Ana Baird é ótima. Graças a ela, o espetáculo tem momentos bastante divertidos por conta de suas performances, embaladas pelas músicas de dor de cotovelo. A cada momento da relação, ela vai se transformando, se afundando nas bebidas, que compõem o cenário, e acaba por quase destruir tudo a sua volta. E não é por nenhuma quebradeira desvairada. É que na medida em que ela “enche a cara”, fica mais difícil ficar em pé, pegar o microfone e continuar a cantar.
Roteiro Musical
“Lady is a tramp” (Richard Rodgers / Lorenz Hartz)
“Pode esperar” (Roberto Correa / Silvio Son)
“Lama” (Paulo Marques / Aguile Chaves)
“Um ano de amor” (Nino Ferrer / Morgol / Terta)
“It’s all right with me” (Cole Porter)
“Depois do prazer” (Só pra contrariar)
“O pior é que eu gosto” (Isolda)
“Molambo” (Jaime Florence / Augusto Mesquita)
“Moda de sangue” (Jerônimo Jardim / Ivaldo Roque)
“Côncavo e o convexo” (Roberto Carlos / Erasmo Carlos)
“Papel de pão” (Jorge Aragão)
“Meu mundo caiu” (Maysa)
“Negue” (Adelino Moreira / Enzo de Almeida)
“Alguém me disse” (Evaldo Golvea / Jair Amorim)
“You oughta know” (Alanis Morrisete)
“Balada da arrasada” (Ângela Rô-Rô)
“Retrato em branco e preto” (Chico Buarque)
“Cry me a river” (Arthur Hamilton)
“Puro Teatro” (Tite Curet Alonso)
“Eu sobrevivo” (Fekaris / Perren / Versão: Paulo Coelho)
Ficha Técnica
Concepção, direção e interpretação: Ana Baird
Músicos: Cacau Ferrari (baixo), Guilherme Borges (piano) e Tiago Calderano (percussão)
Iluminação: Paulo César Medeiros
Sonoplastia: Leandro Lapagesse
Serviço
“Chave de cadeia” Onde: Teatro das Artes | Rua Marquês de São Vicente, 52 - Shopping da Gávea | Tel.: 3874-3957 Quando: Terças, às 21h Quanto: R$ 50
Duração: 60 minutos
Não recomendado para menores de 12 anos
Até 31 de julho --- O jornalista e radialista Reinaldo Ramsés é um carioca que adora teatro. Mesmo na correria dos dias de hoje, tenta, toda semana, ver uma peça nova. Esta rotina se intensificou quando foi repórter de cultura do Globo, cobrindo artes cênicas para o Rio Show.
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