Monday, 03/09/2012
by Joana Medina
O Boteco e o Carioca
"Vamos marcar uma cervejinha?" Essa frase é a cara do carioca. Praticamente toda a vida social acontece nos botecos e, por sermos frequentadores assíduos, todos nós temos um botequim de estimação. Se o encontro vai ou não acontecer, amanhã ou daqui a três meses, isso já é outra história. O que importa é que tudo vira motivo para a tal cervejinha no bar. Seja para afogar as mágoas, matar as saudades, bater um papo, atualizar os amigos ou simplesmente relaxar, a ida ao boteco é um programa do cotidiano. Se não é o destino da noite, é pelo menos o ponto de partida, dependendo da disposição, pode até ser o grand finale. É prático, descontraído e descompromissado, a nossa cara. Alguns lugares você já nem combina mais com as pessoas, simplesmente aparece, é certo que pelo menos um do grupo vai estar presente. Se não estiver, não é problema, o boteco é um ótimo lugar para conhecer novas pessoas. Já que a paixão é tão evidente, destacamos os bares mais queridinhos do Rio. Quando o assunto é chopp e boteco preferido, não podemos deixar de falar do Jobi. Localizado no burburinho do Leblon, a simpatia dos garçons e as mesas do lado de fora - que rapidamente vão acumulando gente e quando você nota a calçada está tomada - conquistaram a simpatia. Mas, o que mantém a clientela é o chopp gelado que desce saboroso no calor do Rio. A Casa Paladino é um exemplo que essa paixão não é coisa desse século. Desde 1906 que o bar existe e naquela época já era um dos preferidos dos moradores da cidade. A decoração, que ainda é a mesma, completa o ar de tradicional botequim carioca: simples, com chopp gelado e garçons que já viraram amigos. Falou em boêmia, falou em Copacabana. Na rua Hilário de Gouveia, 71 está o Pavão Azul bar que reúne diferentes representantes da classe dos boêmios, e olha que não são poucos. O bar está sempre cheio, também não é por menos, há quem afirme que é o melhor bolinho de bacalhau da cidade. Isso sem falar na cerveja de garrafa estupidamente gelada. Mas atenção, quando o pavão começar a sorrir para você, fique atento, é hora de ir embora. A vista privilegiada para a Baía de Guanabara e a mureta mais disputada da cidade estão ali, no Bar Urca. Chega um de bicicleta, outro que estava só passando e a medida que anoitece o muro fica lotado. Como parte do "manual do boteco", a cada hora um vai buscar a cerveja no balcão e é nesse momento que acontece o revezamento. No pôr do sol o momento é dos casais, que aproveitam o cenário indescritível para namorar. Descontraído e simpático, o lugar é famoso no bairro, não só o bar como o seu dono, Marcelo Novaes. Adotado por muitos como boteco predileto, no Cachambeer o chopp geladinho é garantido por Marcelo. Segundo ele "se estiver quente manda fechar e leva todo mundo para beber em outro lugar". Desde a década de 1980 que o Hipódromo agita o Baixo Gávea. Os fartos petiscos, o chopp bem tirado, a simpatia dos antigos garçons, como o Lacerda, e as mesas na varanda - e quando está muito cheio é em pé na calçada mesmo - agregam valor para eleger o bar como um dos queridinhos dos cariocas. O sol está se pondo e a calçada já não é suficiente para a quantidade de gente que escolheu o bar para passar a noite. Favorito não só entre os cariocas, mas entre o gringos, o bar do Mineiro é famoso pelo ambiente agradável, gente bonita e cerveja gelada. Mesas na calçada, muita gente em pé conversando, de repente você se tornou melhor amigo do amigo de um amigo, o copo nunca fica vazio, pois tem sempre alguém que chega com a garrafa e completa. É nesse clima despojado que a cervejinha dura até de manhã. Não é raro, sentar para tomar duas e sair tendo fechado o engradado. A localização ajuda na rotatividade do bar, que hora está cheio, esvazia durante os shows no Circo Voador ou na Fundição Progresso, voltando a encher no final da noite e ai, não tem hora para acabar. Passando rápido, talvez nem visse o bar se não fosse o movimento de gente na porta. Escondido no Largo dos Leões a cerveja gelada e barata atrai os cariocas. Outro elemento que está interligado com a vida no boteco são os campeonatos de futebol que ficam ainda mais emocionantes quando vistos no bar com os amigos. No Palhinha diferentes torcidas ser reúnem para vibrar pelo seu time, e claro, secar o do outro. O tradicional boteco do Jardim Botânico é o xodó dos moradores da área. Ali eles encontram além de um ambiente simples, deliciosos petiscos preparados pelo casal português, Gertrude e Alberto da Conceição, donos do estabelecimento. Entre os destaques da cozinha está o bolinho de camarão com catupiry. Apesar da reforma, o bar manteve seu charmoso clima de boteco. O dono é o simpático Sr. Edgar, o português que vem na mesa bater papo, a cerveja é gelada e a feijoada é a melhor pedida. Não precisa de mais nada para ser fã de carterinha do local. No final da lista, mas não menos importante, vem o querido Empório. O clima alternativo ao som de rock reúne a galera que aos poucos ocupa a calçada. Bares Universitários É na universidade que a paixão se desenvolve. Muitos amigos e casais se formam dentro das paredes dos botecos. Não é a toa que todas as faculdades tem um bar perto a ser acolhido com muito amor e dedicação pelos estudantes. Por exemplo os filhos da PUC tem o Pires, os da UFRJ tem o Sujinho e quem estuda no Fundão enche o Mangue, na Facha tem o Bar da Foca e os alunos da Univercidade lotam o Mosca. Para tranquilizar os pais basta dizer que a troca de cultura é constante. Entre uma cerveja e outra, "vamos filosofar?", lança alguém. A sua lista é diferente? Deixe nos nossos comentários quais botecos merecem estar entre os queridos dos cariocas.
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