A eterna musa indie norte-americana Charlyn Marie Marshall, ou simplesmente Cat Power,
voltou aos palcos do Circo Voador no último sábado e enlouqueceu a plateia em muitos
sentidos.
Dona de um estilo único ao vivo, Chan Marshall traz em sua carreira 9 álbuns e alguns singles
marcantes desde a era indie dos anos 90, passando pela sua fase mais cool, iniciada a partir
de “The Greatest” (2006) e interrompida agora com “Sun”(2012), dois de seus trabalhos mais
acessíveis.
Ressaltar seus antigos problemas com álcool e depressão talvez seja essencial para
entender melhor suas músicas, mas há muito mais a se prestar atenção nela.
Uma das características mais marcantes (senão a) de Cat Power é recriar no palco, com novos arranjos e novas melodias, tanto as suas músicas quanto as dos famosos compositores e artistas congratulados com as suas versões.
No show de divulgação de “Sun”, seu álbum mais recente, no Circo Voador, não foi diferente. Cat Power cantou novas versões de algumas de suas músicas consagradas como “King Rides By” e “I Don´t Blame You” acompanhada de sua nova, e bem feminina, banda - que não deixa nada a desejar diante da anterior, a excelente The Dirty Delta Blues.
Com Adeline Fargier Jasso na Guitarra (cujo visual remete à Chan de “The Greatest”), Alianna
Kalaba na bateria, Nico Turner na percussão e a participação masculina de Gregg Foreman
(remanescente do The Dirty Delta) nos teclados e na guitarra, Chan Marshall focou seu
repertório em músicas de seus últimos 3 discos, com as exceções da quase clássica “Sea of
Love”, com um já esperado novo arranjo, e de ”King Rides By”.
Com a ajuda das bases eletrônicas criadas para o álbum “Sun” - tocadas ao vivo por Foreman
- e dos vocais precisos de Adeline, Cat Power pôde cantar as melodias de seu último álbum
com sua originalidade peculiar, sem fugir muito dos arranjos originais. Ponto para ela, que
incendiou a plateia do Circo dos riffs iniciais aos refrões de “Cherokee” e “Ruin”, hits nas noites
cariocas.
A presença de palco de Cat Power, com seu misto de timidez e interação, também ajudou a conquistar o público. Uma parte da plateia chegou a fazer uma fila em frente ao microfone da cantora, em plena execução de “I Don´t Blame You”, para pegar os autógrafos que ela distribuía simpaticamente, e isqueiros e celulares iluminaram o longo momento com luzes apagadas de “Angelitos”.
Ao final do show, como de costume, Chan Marshall fez questão de nos dar a impressão de que
não quer nos abandonar, sendo sempre a última a sair do palco, com inúmeras saudações e
agradecimentos ao público, e várias ameaças de voltar ao microfone. É sempre uma graça e
encantador presenciar o carisma e o talento de Cat Power ao vivo.
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Fernando Flack é músico e compositor. É apaixonado por artes em geral, mas ama a música acima de tudo. É redator do jornal Redentor do Festival de Cinema do Rio e escreve regularmente para a coluna musical do Todo Rio.