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Sunday, 23/03/2014
Amores
Sunday | 23/03/2014 | 21:00
Sede das Cias: Rua Manoel Carneiro 12 | Escadaria do Selarón, Lapa
R$ 1.99 ticket
Sob a direção de Ivan Sugahara, o espetáculo tem no elenco Ângela Câmara, José Karini e Saulo Rodrigues (integrantes da companhia), além de Ana Abbott, Lívia Paiva e Lucas Gouvêa. O espetáculo estreia 15 de março na SEDE DAS CIAS, onde permanece em cartaz de sábado a segunda, às 20h, até 28 de abril. Trata-se da segunda montagem de Amores, que até então só havia sido encenado por seu autor nos anos 90, quando foi laureado com os prêmios Shell e Estado do Rio de Janeiro de Melhor Texto em 1997. Em 2001, a sua versão cinematográfica, dirigida pelo próprio Domingos Oliveira, recebeu os prêmios da Crítica, do Júri Popular e de Melhor Direção no Festival de Gramado.

A peça traça um painel das relações afetivas no final do século XX, cheio de encontros e desencontros. Comprometido com o retrato da instabilidade dos relacionamentos, Domingos faz uma crônica dos costumes amorosos e conflitos familiares da classe média urbana nos anos 90. A trama aborda as mudanças comportamentais da época: o desejo de família num momento em que o mundo tende a fragilizá-la, as vicissitudes e separações amorosas de um tempo assolado pelo fantasma da Aids.

Vieira (José Karini) é um escritor da TV Globo prestes a perder o emprego, enquanto se degladia com sua filha Cíntia (Lívia Paiva) tentando controlar sua excessiva liberdade. Telma (Ângela Câmara), maior amiga de Vieira, é casada com Pedro (Saulo Rodrigues). Não quiseram ter filhos, mas agora, com Telma na casa dos 30, estão querendo e não estão conseguindo, o que está pondo o casamento em perigo. Luiza (Ana Abbott), irmã de Telma, é uma atriz fracassada que ganha a vida contando piadas em bares. Apaixona-se loucamente pelo pintor Rafael (Lucas Gouvêa), mas descobre que ele é soropositivo.

Como poucos autores, Domingos têm a poética instauradora do amor como necessidade da vida, como urgência do existir. Amores se estrutura com as surpresas ocasionadas pela vida a provocar o desenvolvimento da trama. É nesta capacidade de surpreender a vida como ela é que ele mostra o seu talento, a sua imensa capacidade de dramaturgo. Aparentemente simples, o texto revela um enfoque de inusitada importância sobre as afinidades eletivas na sociedade contemporânea. Para Domingos, quando se ama, os códigos éticos e sociais ficam arquivados, desviando-se de qualquer vinculação simplista no enfoque e estabelecendo, isto sim, uma espécie de arte poética do amar.

Em meio ao caos sentimental dos casais de Amores, no qual despontam também o conflito geracional e o problema da Aids, a burocracia e a atividade artística, em sua total dependência de uma estrutura governamental que as ampare, vivem um igual embate de idéias, valores, ódio e amor. Contudo, o enredo é otimista. Mas otimista a partir do mundo real, sem o falso final feliz. Domingos não cria mundos imaginários e seu otimismo não tem nada de alienado. Ao contrário, cria uma alternativa revolucionária à falta de saída e ao pragmatismo do mundo capitalista contemporâneo. Sua peça procura oferecer uma reflexão sobre o estágio da evolução do amadurecimento (ou não) das relações afetivas. Fala de um tempo de muitas liberdades, com personagens extremamente humanos simplesmente tentando o viver o mais dignamente possível.

O diretor Ivan Sugahara optou por manter a história nos anos 90 mantendo as referências que o texto faz à época, tal como o governo de Fernando Henrique Cardoso, a participação de Lilian Wite Fibe no Jornal da Globo, filmes como “Filadélfia” e “Thelma e Louise”, a existência da Telerj ou ainda a presença de uma secretária eletrônica em cena. A época também será evocada por meio de músicas, figurinos, objetos e decoração. O teatro da SEDE DAS CIAS será transformado em um loft que será usado para situar as três casas em que a ação da peça se passa (casa de Vieira, casa de Rafael e casa de Telma e Pedro). Deste modo, haverá uma fusão de três espaços em um - com a sobreposição de ações concomitantes e paralelas - em que os atores circularão destilando uma interpretação cômica, nervosa, veloz, típica dos filmes de Woody Allen, uma das grandes referências de Domingos Oliveira. O público ficará sentado em cadeiras dispostas dentro desse loft sendo convidado a penetrar na intimidade dos personagens.

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